Agente 86

sexta-feira, 07/11/2008

 

Poster do filme

Poster do filme

Fazia tempo que não aparecia um filme de comédia sem ter cenas de apelação ou escatologia. Aliás aparentemente a indústria cinematográfica do gênero parece ter esquecido que um dia já existiu comédias tão engraçadas como as de Jerry Lewis e Mel Brooks ou o humor negro de Monty Python e hoje em dia só consegue produzir comédias românticas que reciclam sempre as mesmas piadas e filmes idiotas e apelativos como a série Todo Mundo em Pânico.

Agente 86 destoa desta tendência e mostra que ainda é possível fazer as pessoas rirem apenas com boas atuações e idéias engraçadas. O filme consegue captar bem a essência do antigo seriado e ainda trazer nova roupagem aos personagens e situações, além de prestar homenagem ao seriado. Steve Carell está bem caracterizado como Maxwell Smart, não tão inocente quanto o original, mas tão engraçado quanto e a adição da nova Agente 99 – Anne Hathaway mostra uma química bem interessante que complementa o personagem de Carell. 

Aliás a Agente 99 não deve nada a qualquer outra agente já personificada no cinema, e até faria inveja a algumas Bond Girls. O ponto fraco do filme vai para os vilões, que passam praticamente desapercebidos e entram e somem de cena como se nem fizessem parte da história. Um bom filme para se ver e dar boas risadas das coisas impossíveis que acontecem. Muito bom, mas ainda acho que o melhor filme do Agente 86 é A Bomba que Desnuda. No créditos ainda podemos ver que o filme tem a consultoria do Mel Brooks, o que o deixa ainda melhor.

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O Dia em que o Palhaço Chorou

quinta-feira, 01/05/2008

Jerry Lewis como Helmut Doork, nas gravações de \"O Dia em que o Palhaço Chorou\"O primeiro drama dirigido por Jerry Lewis nunca seria lançado, mas se tornaria uma lenda entre curiosos e cinéfilos pelos próximos 35 anos. Marcado pelas comédias pastelão que o lançaram ao sucesso ao lado de Dean Martin na década de 40, Jerry Lewis tenta mudar radicalmente de rumo e dirigir um trabalho sério e audacioso. E, falando em coisa séria, nada melhor do que ter o próprio Holocausto como pano de fundo.

The Day the Clown Cried conta a história de um decadente palhaço de circo — interpretado pelo próprio Jerry Lewis — no começo da Segunda Guerra Mundial. Depois de despedido e preso por zombar de Hitler, ele acaba parando em um campo de concentração para presos políticos em Auschwitz. E sendo um palhaço com algum sucesso entre as crianças, ele arranja um trabalho por lá levando as crianças quietas e comportadas sem suspeitar que estão, na verdade, indo para a câmara de gás.

Se só essa pequena sinopse já o figura como um filme de possível gosto questionável e insensível, o mais divertido é ler os depoimentos de quem assistiu uma prévia antes de pronto. É comum encontrar comentários do tipo “isso é simplesmente errado” ou “situações cômicas ou de drama nos piores momentos possíveis”.

Infelizmente, os autores originais do livro em que se baseou o filme disseram que jamais deixariam o filme ser lançado. Segundo eles, Jerry Lewis modificou totalmente a história original, facilitando a identificação do público com o personagem, ao invés de fazer dele um cara arrogante e egoísta que aprende uma lição no final, como é no livro.

Há alguns pequenos trechos dos bastidores do filme no YouTube e ainda algumas entrevistas com pessoas dentro de Hollywood que o viram. Apesar disso, a única cópia em video cassete supostamente disponível encontra-se com o próprio Jerry Lewis, que ainda está tentando lançar o filme comercialmente.