The IT Crowd

sexta-feira, 16/01/2009
Jen, Moss e Roy, The IT Crowd

Jen, Moss e Roy, The IT Crowd

Nos dias de hoje, a tecnologia se tornou presença absoluta e indispensável na vida de praticamente todo mundo. Com isso, as grandes fortunas e as pessoas mais bem sucedidas são os assim chamados geeks, que — exatamente por conta de suas grandes fortunas (o dinheiro move o mundo) — deixaram de ter aquele estigma social tão pesado que carregavam até muito pouco tempo atrás. Hoje, gostar de quadrinhos, RPG, tecnologia e computadores não é mais coisa de doido. Muito pelo contrário, é até admirável. Era de se esperar que seriados tendo nerds como personagens principais (e não apenas como o esquisito do grupo) surgissem. Pretendo falar de vários deles nas semanas seguintes.

Mas agora falo de The IT Crowd. É uma sitcom britânica sobre dois funcionários do departamento de informática de uma grande empresa: Roy e Moss, que um dia recebem uma nova chefe, Jen, que, é claro, não entende nada a respeito de computadores. Não é a descrição de um enredo particularmente estimulante, mas poucas descrições são. O que faz The IT Crowd se destacar entre as sitcoms bobinhas que vemos por aí é a sua execução.

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The Discworld Graphic Novels

quinta-feira, 15/01/2009
Discworld Graphic Novels

Discworld Graphic Novels: The Colour of Magic & The Light Fantastic

Terry Pratchett escreve livros maravilhosamente bem-humorados a respeito de um mundo em forma de disco, navegando pelo universo nas costas de quatro elefantes, apoiados, por sua vez, sobre uma tartaruga gigante. Se os primeiros livros pendiam mais para o lado do humor escrachado, os livros mais novos contém enredos incrivelmente elaborados e um humor inteligente — daquele tipo que você não vai gargalhar até doer a barriga, mas que vai te fazer abrir um sorriso a cada página. É natural que livros dessa natureza transformem o seu escritor em um sucesso, e é simplesmente natural que um escritor de sucesso navegue em outras mídias.

O livro The Discworld Graphic Novels — The Colour of Magic & The Light Fantastic (note o u em colour) são as adaptações para os quadrinhos das duas primeiras novelas da famosa série (com os mesmos nomes, é claro). Infelizmente, como sempre, adaptações geram perdas, e nem sempre o que é bom em um meio é bom em outro.

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A Luz Fantástica

sexta-feira, 05/09/2008

“Todos sabemos que magos e guerreiros não se dão muito bem, porque os primeiros acham que os outros são um monte de idiotas sanguinários que não conseguem andar e pensar ao mesmo tempo, ao passo que estes ficam naturalmente desconfiados de um grupo de homens que resmunga muito e usa saia longa. Ah, dizem os magos, se vamos partir para esse lado, então que tal todos os enfeites e músculos lubrificados na Associação Pagã de Moços? Ao que os heróis respondem: é um belo argumento vindo de um bando de fracotes que nem chega perto de mulher porque — dá pra acreditar? — o poder místico drena muita energia. Tudo bem, irritam-se os magos, já chega, vocês e suas bolsinhas de couro. Ah, é?, rebatem os heróis, por que vocês não vão…”

A Luz Fantástica é o segundo livro da série Discworld. Continua a saga dos dois personagens do primeiro livro: Rincewind, o mago mais inepto do disco; e Duasflor, o primeiro turista do planeta. Rincewind decorou apenas um feitiço em sua vida — um dos oito feitiços usados para a criação do mundo. Isso o torna algo importante na ordem das coisas — quando Rincewind cai na borda do mundo, o próprio feitiço o salva. Em sua saga — de permanecer vivo — Rincewind topa com o famoso bárbaro Cohen. A fama vem de longa data, e Cohen também: é um velho decrépito, que, no entanto, ainda está na ativa.

Como pontos altos deste livro, Rincewind recebe sua grande companhia em todos os livros onde aparece: a Bagagem; além disso, é aqui que o Bibliotecário é finalmente transformado em orangotango (se recusando a ser transformado novamente em humano, já que livros mágicos são potencialmente perigosos para as pessoas, e um orangotango não é uma pessoa).

O tom de humor e gozação com os clichés dos romances de fantasia continuam, mas já se começa a perceber que uma certa sofisticação começa a aparecer nos textos de Terry Pratchett. Não digo isso à toa: em livros posteriores, especialmente os mais recentes, os livros abandonam o humor relativamente escrachado e os roteiros relativamente simples dos primeiros livros e se tornam novelas complexas com ironia profunda. Alguma coisa começa a aparecer aqui — por isso citei esse parágrafo acima (que também está na última capa do livro), porque é típico dessa fase do autor. É um livro típico de Discworld, e como todos da série, merece ser lido.


Only You Can Save Mankind

segunda-feira, 09/06/2008

Only You Can Save MankindQue o Terry Pratchett é um escritor do caramba, ninguém duvida. Mas muito pouca gente conhece o que ele fez além da série Discworld. Não foi muita coisa, é verdade, mas o que ele fez foi memorável. Este livro, “Only You Can Save Mankind” é uma dessas pérolas.

Não é um enredo muito original, mas o contexto é pra lá de interessante, e a aventura se desenrola muito bem. Johnny Maxwell é um jovem de uns 15 anos que se diverte todo dia jogando o game com o mesmo título do livro. É a época da guerra do Iraque — a primeira delas, conduzida pelo bestalhão-pai — e as imagens na televisão são muito parecidas com um video-game. Em um dado momento, Johnny recebe a rendição dos alienígenas que enfrenta na tela. Tudo ok, exceto que isso não era pra acontecer. Johnny logo percebe, então, que aquilo é mais que um jogo.

Esse tipo de enredo já foi abordado em contos mais “sérios”, como o “Ender’s Game”, de Orson Scott Card. Mas aqui o enfoque é bem diferente, além de ser bem recheado com o humor de Terry Pratchett. Não se deve esperar, no entanto, encontar o mesmo non-sense absolutamente lógico da série Discworld — Johnny vive no nosso mundo e as coisas são bem mais pé-no-chão. O livro deu tão certo que gerou uma trilogia. Não tive a oportunidade de ler ainda os outros dois livros da série, mas o interesse certamente apareceu. O problema é encontrar esses livros aqui no Brasil para comprar — não chega a ser um problema, realmente, com a internet por aí. E, considerando a fila enorme de outros livros, ainda vai demorar um pouquinho.


A Cor da Magia

terça-feira, 27/05/2008

A Cor da MagiaO mundo avança pelo espaço sobre a carapaça de uma tartaruga. É um dos grandes mitos antigos, encontrado onde quer que homens e tartarugas interajam; os quatro elefantes foram um requinte indo-europeu. Fazia séculos que a idéia pairava no quarto de despejo das lendas. Tudo o que Terry Pratchett precisou fazer foi pegá-la e sair correndo antes que os alarmes disparassem.

Discworld é um mundo plano, em forma de disco, que navega pelo universo nas costas de uma tartaruga, a Grande A’Tuin. A cidade principal desse mundo é Ankh-Morpork, uma grande metrópole de fantasia, com todos os problemas das metrópoles atuais — e alguns outros, uma vez que nós não temos trolls andando pelas ruas. Em Ankh-Morpork há a Universidade Invisível, onde (supostamente) estudam os magos. O mais inepto dos magos é Rincewind, que só aprendeu um feitiço, e nunca o usou por medo das conseqüências. Rincewind precisa acompanhar DuasFlor, um turista de quatro olhos (ele não usa óculos) do continente Contrapeso. A cor da magia é a oitava cor, octarina, que apenas os magos podem ver. Magos também são visitados pessoalmente por Morte na ocasião derradeira. Rincewind não é muito um mago, mas tem essas duas capacidades. A última, em especial.

Este livro dá o tom da série Discworld, que já conta com mais de quarenta livros publicados. Anti-heróis, esquisitices, citações em contextos inusitados e muita analogia com as situações que enfrentamos nos dias de hoje. Os livros da série costumam ir fundo — de uma maneira bem cômica — em coisas que encaramos todo dia: preconceito, religião, economia, e até física quântica.

O humor é um pouco mais escrachado que os livros que o seguem e, em minha opinião, é o piorzinho da série — ou o menos melhor. Era de se esperar que o escritor vá perdendo o pique conforme suas idéias vão acabando. Mas, com Terry Pratchett, isso não parece acontecer — nos livros mais novos, o autor cria situações muito complicadas com o único objetivo de fazer graça, mas transforma as situações em enredos bastante complexos. “A Cor da Magia”, no entanto, apenas reúne alguns contos de Rincewind e DuasFlor. Em contos mais novos, outras linhas de história se abrem.

Em todo caso, este livro é obrigatório. Não custa muito, e vale a pena cada linha da leitura, além de abrir o apetite para todas as seqüências.