The Discworld Graphic Novels

quinta-feira, 15/01/2009
Discworld Graphic Novels

Discworld Graphic Novels: The Colour of Magic & The Light Fantastic

Terry Pratchett escreve livros maravilhosamente bem-humorados a respeito de um mundo em forma de disco, navegando pelo universo nas costas de quatro elefantes, apoiados, por sua vez, sobre uma tartaruga gigante. Se os primeiros livros pendiam mais para o lado do humor escrachado, os livros mais novos contém enredos incrivelmente elaborados e um humor inteligente — daquele tipo que você não vai gargalhar até doer a barriga, mas que vai te fazer abrir um sorriso a cada página. É natural que livros dessa natureza transformem o seu escritor em um sucesso, e é simplesmente natural que um escritor de sucesso navegue em outras mídias.

O livro The Discworld Graphic Novels — The Colour of Magic & The Light Fantastic (note o u em colour) são as adaptações para os quadrinhos das duas primeiras novelas da famosa série (com os mesmos nomes, é claro). Infelizmente, como sempre, adaptações geram perdas, e nem sempre o que é bom em um meio é bom em outro.

Continue lendo »

Anúncios

A Luz Fantástica

sexta-feira, 05/09/2008

“Todos sabemos que magos e guerreiros não se dão muito bem, porque os primeiros acham que os outros são um monte de idiotas sanguinários que não conseguem andar e pensar ao mesmo tempo, ao passo que estes ficam naturalmente desconfiados de um grupo de homens que resmunga muito e usa saia longa. Ah, dizem os magos, se vamos partir para esse lado, então que tal todos os enfeites e músculos lubrificados na Associação Pagã de Moços? Ao que os heróis respondem: é um belo argumento vindo de um bando de fracotes que nem chega perto de mulher porque — dá pra acreditar? — o poder místico drena muita energia. Tudo bem, irritam-se os magos, já chega, vocês e suas bolsinhas de couro. Ah, é?, rebatem os heróis, por que vocês não vão…”

A Luz Fantástica é o segundo livro da série Discworld. Continua a saga dos dois personagens do primeiro livro: Rincewind, o mago mais inepto do disco; e Duasflor, o primeiro turista do planeta. Rincewind decorou apenas um feitiço em sua vida — um dos oito feitiços usados para a criação do mundo. Isso o torna algo importante na ordem das coisas — quando Rincewind cai na borda do mundo, o próprio feitiço o salva. Em sua saga — de permanecer vivo — Rincewind topa com o famoso bárbaro Cohen. A fama vem de longa data, e Cohen também: é um velho decrépito, que, no entanto, ainda está na ativa.

Como pontos altos deste livro, Rincewind recebe sua grande companhia em todos os livros onde aparece: a Bagagem; além disso, é aqui que o Bibliotecário é finalmente transformado em orangotango (se recusando a ser transformado novamente em humano, já que livros mágicos são potencialmente perigosos para as pessoas, e um orangotango não é uma pessoa).

O tom de humor e gozação com os clichés dos romances de fantasia continuam, mas já se começa a perceber que uma certa sofisticação começa a aparecer nos textos de Terry Pratchett. Não digo isso à toa: em livros posteriores, especialmente os mais recentes, os livros abandonam o humor relativamente escrachado e os roteiros relativamente simples dos primeiros livros e se tornam novelas complexas com ironia profunda. Alguma coisa começa a aparecer aqui — por isso citei esse parágrafo acima (que também está na última capa do livro), porque é típico dessa fase do autor. É um livro típico de Discworld, e como todos da série, merece ser lido.


A Cor da Magia

terça-feira, 27/05/2008

A Cor da MagiaO mundo avança pelo espaço sobre a carapaça de uma tartaruga. É um dos grandes mitos antigos, encontrado onde quer que homens e tartarugas interajam; os quatro elefantes foram um requinte indo-europeu. Fazia séculos que a idéia pairava no quarto de despejo das lendas. Tudo o que Terry Pratchett precisou fazer foi pegá-la e sair correndo antes que os alarmes disparassem.

Discworld é um mundo plano, em forma de disco, que navega pelo universo nas costas de uma tartaruga, a Grande A’Tuin. A cidade principal desse mundo é Ankh-Morpork, uma grande metrópole de fantasia, com todos os problemas das metrópoles atuais — e alguns outros, uma vez que nós não temos trolls andando pelas ruas. Em Ankh-Morpork há a Universidade Invisível, onde (supostamente) estudam os magos. O mais inepto dos magos é Rincewind, que só aprendeu um feitiço, e nunca o usou por medo das conseqüências. Rincewind precisa acompanhar DuasFlor, um turista de quatro olhos (ele não usa óculos) do continente Contrapeso. A cor da magia é a oitava cor, octarina, que apenas os magos podem ver. Magos também são visitados pessoalmente por Morte na ocasião derradeira. Rincewind não é muito um mago, mas tem essas duas capacidades. A última, em especial.

Este livro dá o tom da série Discworld, que já conta com mais de quarenta livros publicados. Anti-heróis, esquisitices, citações em contextos inusitados e muita analogia com as situações que enfrentamos nos dias de hoje. Os livros da série costumam ir fundo — de uma maneira bem cômica — em coisas que encaramos todo dia: preconceito, religião, economia, e até física quântica.

O humor é um pouco mais escrachado que os livros que o seguem e, em minha opinião, é o piorzinho da série — ou o menos melhor. Era de se esperar que o escritor vá perdendo o pique conforme suas idéias vão acabando. Mas, com Terry Pratchett, isso não parece acontecer — nos livros mais novos, o autor cria situações muito complicadas com o único objetivo de fazer graça, mas transforma as situações em enredos bastante complexos. “A Cor da Magia”, no entanto, apenas reúne alguns contos de Rincewind e DuasFlor. Em contos mais novos, outras linhas de história se abrem.

Em todo caso, este livro é obrigatório. Não custa muito, e vale a pena cada linha da leitura, além de abrir o apetite para todas as seqüências.