The Discworld Graphic Novels

Discworld Graphic Novels

Discworld Graphic Novels: The Colour of Magic & The Light Fantastic

Terry Pratchett escreve livros maravilhosamente bem-humorados a respeito de um mundo em forma de disco, navegando pelo universo nas costas de quatro elefantes, apoiados, por sua vez, sobre uma tartaruga gigante. Se os primeiros livros pendiam mais para o lado do humor escrachado, os livros mais novos contém enredos incrivelmente elaborados e um humor inteligente — daquele tipo que você não vai gargalhar até doer a barriga, mas que vai te fazer abrir um sorriso a cada página. É natural que livros dessa natureza transformem o seu escritor em um sucesso, e é simplesmente natural que um escritor de sucesso navegue em outras mídias.

O livro The Discworld Graphic Novels — The Colour of Magic & The Light Fantastic (note o u em colour) são as adaptações para os quadrinhos das duas primeiras novelas da famosa série (com os mesmos nomes, é claro). Infelizmente, como sempre, adaptações geram perdas, e nem sempre o que é bom em um meio é bom em outro.

O problema é que muito do humor e do resultado vem da forma como Pratchett manipula as frases e a expectativa do leitor. Isso é feito com a escrita, e quando você vai para os quadrinhos, essa expectativa é diferente. O resultado pode ser um pouco sem graça. É claro que uma boa adaptação pode compensar, e uma boa arte pode tornar a experiência fascinante. Infelizmente, esta adaptação falha nesses quesitos.

A adaptação do roteiro foi feita por Scott Rockwell, e a arte é de Steven Ross. O roteiro tenta ser o mais fiel possível aos textos dos livros. Aqui eu reconheço que há uma armadilha para o roteirista: se você segue fielmente os livros, não há como a adaptação ser adequada devido à diferença entre as linguagens; se você adapta, pode alienar os fãs do texto original. No caso da arte, no entanto, pouca coisa se justifica. Usar a diagramação dos quadrinhos para gerar a expectativa necessária é a tarefa do artista, e se há falha aí, o artista tem uma boa mão de culpa. Mas, pior que isso, o design dos personagens os torna pouco carismáticos: Rincewind parece um morador de rua, Twoflower parece um fazendeiro. Nos dois últimos capítulos, no entanto, o artista é Joe Bennet. A coisa muda bastante de figura: há um pouco mais de energia, a diagramação melhora consideravelmente, e fica mais divertido ler o texto.

Enfim, é um livro interessante para ver a interpretação de um ou dois artistas sobre o mundo de Discworld. Acredito que seja indispensável para quem gosta de colecionar, mas para quem não é tão radical quanto a isso, pode ser apenas uma leitura casual. Os textos originais são melhores.

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