Xenogears

sexta-feira, 29/08/2008

Foi em 1998 que ao folhear uma revista americana sobre videogames tive meu primeiro contato com Xenogears. Era uma propaganda de página inteira com um robô azul e logo abaixo dele estava escrito: Stand tall and shake the heavens, algo como mantenha-se ereto e chacoalhe os céus. Aquilo realmente me impressionou, afinal era um rpg da Square, e não era Final Fantasy.

Poucos meses depois pude colocar minhas mãos no jogo, e bem, muitas horas perdidas depois fiquei com aquela sensação de que aquilo tudo era realmente fantástico. Uma história rica em detalhes, cenários gigantescos, robôs pilotáveis, músicas fantásticas e a possibilidade de lutar contra tudo, e contra Deus também.

A trama começava como todo rpg clássico, um rapaz de uns 20 anos, que está em uma vila remota de um continente dividido pela guerra das duas maiores nações que existe no mundo. Logo a guerra chega ao herói da história Fei Fong Wong, que sofre de perda de memória, mas que para proteger a vila entra em um dos Gears (robôs utilizados na guerra) para lutar contra os inimigos, neste momento surge o que pode ser considerado o Darth Vader dos rpgs: Grahf um ser misterioso e muito poderoso e através dele Fei perde o controle e acidentalmente acaba incinerando a vila inteira. Ele então decide sair mundo afora e descobrir qual o seu lugar.

A princípio pode parecer simples, mas com o passar do tempo a história se aprofunda e muitas viradas acontecem. Inimigos muito poderosos aparecem, alianças bem estranhas se formam e muita história é contada. Logo o jogador está completamente inserido na luta de Fei, sua necessidade de procurar Elly, que é o seu grande amor através dos tempos e sua luta contra Grahf e o Ethos, que é a igreja que domina o mundo de Xenogears, claro que no decorrer da história, o seu mecha, o Weltall sofre diversos upgrades, cativando ainda mais os jogadores.

Além da história complexa e bela, Xenogears tinha outros fatores que o deixava anos a frente dos outros rpgs, músicas da melhor qualidade compostas por Yasunori Mitsuda, que também compôs as músicas de Chrono Trigger e Front Mission, entre as músicas haviam trilhas cantadas deixando a história com um jeitão de um anime melhorando a interação entre história/desenvolvimento. Além disso foi um dos primeiros jogos a ter um cenário 3d permitindo que os personagens ficar vagueando pelo mundo imenso.

Um dos poucos jogos a ganhar a nota máxima da revista japonesa Famitsu, Xenogears ainda é tão popular que foi um dos títulos mais pedidos para ser incluso no Playstation Network – PSN, que é o canal de internet do playstation, onde os fãs puderam baixar o jogo e jogar no Ps3.


Dungeons & Dragons, 4th Edition

segunda-feira, 18/08/2008

Era de se esperar que, um dia, a Wizards of the Coast fosse lançar uma versão nova de seu jogo mais popular, o famoso D&D. A 4a. edição foi lançada recentemente nos EUA, já tem um monte de suplementos adicionais e traz algumas novidades para o jogo. Como sempre, o sistema básico é dividido em três livros principais: o Player’s Handbook, o Dungeon Master Guide e o Monster Manual.

Visualmente, os livros são estonteantes. Os desenhos são muito bem feitos, a diagramação e a programação visual são perfeitas. Não daria pra esperar menos, afinal, a Wizards tem um staff enorme, com muito dinheiro para gastar com isso. Os melhores ilustradores de fantasia na atualidade deram sua contribuição. A impressão e a diagramação valorizam muito o visual dos livros.

Com relação ao sistema, o principal a ser notado é que muitos dos detalhes do sistema d20 — como apareceram na 3a. edição — foram meio que deixados de lado. O sistema ainda é baseado no d20, ainda existem raças e classes, muitos dos detalhes do sistema ainda existem, mas as assim chamadas complicações foram deixadas de lado. Talvez isso não seja tão bom, porque existe alguma coisa no sistema que torna o D&D um jogo com sua própria atmosfera, e isso pode ter sumido. Eu ainda não joguei, então isso é apenas especulação, e posso estar completamente enganado.

Existem duas raças novas: os Dragonborn e os Eladrin. Os Dragonborn são descendentes de dragões (como era de se esperar) remanescentes de um império em decadência, e com grande honra. Os Eladrin são simplesmente os alto-elfos — ao invés de diversos tipos de elfos, o D&D novo faz uma separação entre altos-elfos e elfos-cinza, cada nova raça com suas habilidades pertinentes. Muitas das classes antigas sumiram, mas os suspeitos de sempre estão lá: guerreiro, paladino, ladrão, mago, ranger, clérigo, etc. Entre as classes eliminadas estão druidas e monges, o que eu acho meio ruim. Existe a classe do warlord, líderes de combate, perfeita para os Dragonborn. Além disso, as classes tem um aspecto adicional, o ‘role’, ou o papel que a classe desempenha dentro de um grupo (líder, protetor, etc.) Isso pode ajudar na criação de grupos mais coerentes.

Uma impressão que eu tive foi que os personagens têm a tendência a crescer muito rápido e ficarem muito poderosos. De uma forma geral, parecido com jogos de RPG on-line, como World of Warcraft e similares. Provavelmente, houve a preocupação em chamar a atenção desse público, já que é o RPG on-line que faz sucesso hoje em dia. Mas as regras acabam permitindo a criação de verdadeiros tanques de guerra, especializados em atropelar o inimigo sem perceber, o que pode não ser muito divertido se o grupo quer se divertir com o outro aspecto do RPG: a interpretação.

Resumindo, não é o lançamento mais brilhante do sistema, mas dá uma renovada no que estávamos acostumados a ver. Daqui pra frente, é esperar pra ver se o novo sistema tem o mesmo sabor de D&D de sempre.


Preacher

quarta-feira, 13/08/2008

Existe algo que você pode contar em todos os quadrinhos do Garth Ennis, eles vão te surpreender. Seja por algum pequeno fato, ou um personagem estranho, ou ainda uma história complemente maluca. Os quadrinhos dele sempre têm algo a mais que deixa aquela sensação de “caramba!”.

Preacher é uma dessas histórias. Ela conta uma parte da vida de Jesse Custer, um ladrão que acaba virando pastor de uma igreja em uma pequena comunidade dos Estados Unidos, até que um dia a igreja dele explode, matando todos os que estavam dentro dela com exceção do pastor, que passa por uma certa mudança e coloca sua família, uma ordem secreta da Igreja, o Santo dos assassinos e um tanto de gente em seu encalço.

Não se iluda, Preacher não é para estômagos fracos. Todo o tipo de anormalidade acontece na história, como o melhor amigo do Jesse ser um vampiro chamado Cassidy e sua namorada estar envolvida com a máfia. Sangue e vísceras estão sempre aparecendo e pessoas morrem aos quilos, já que tudo parece um battle royale.

Lançado pela linha de quadrinhos adultos da DC Comics, a Vertigo, Preacher foi alvo de muitas controvérsias e, é claro, muita reclamação das religiões que se idenficaram com os acontecimentos da trama. Se você quer uma boa dose de coisas inesperadas, sexo, violência, destruição e sacadas muito espertas Preacher é o seu destino certo.