Fight Club

quarta-feira, 23/07/2008

Em 1999 David Fincher lançou um filme que poucas pessoas acharam que daria certo. A primeira foto promocional que saiu foi uma foto do Brad Pitt com o rosto coberto de sangue e sorrindo, seguida de uma do Edward Norton em situação parecida. Completamente estanho, mas logo chamou a atenção não somente das fãs do Brad Pitt, como também dos marmanjos que gostariam de o ver naquela situação. Era ali que começava a luta…

Com filmes como Alien³ e Se7en no curriculo, já era de se esperar que David Fincher fizesse de Fight Club algo memorável, e ele fez mais do que isso, transformando o filme em uma mistura de cultura e violência. Apesar de inicialmente os atores cotados para fazer os papéis principais terem sido Russel Crowe e Matt Damon, Pitt e Norton pareciam terem sido feitos para os papéis e tiveram aulas de como fazer sabonetes e boxe apenas para representarem bem seus papéis. Para o papel de Marla Singer, Reese Witherspoon foi a primeira a ser cotada, mas Fincher achou que ela era nova demais, escalando assim Helena Bonham Carter.

O filme traz a história do narrador sem nome (Norton), que está cansado da sua vida consumista. Ele acha que é um escravo da sociedade, tendo que comprar coisas inúteis apenas para se sentir satisfeito. Até que ele encontra o despreocupado Tyler Durden (Pitt), que apenas vive um dia de cada vez e faz muitas maluquices. O Narrador sem nome frequenta diversos grupos de auto-ajuda como ajuda para quem tem cancer ou aids e acaba por conhecer a Marla Singer (Carter), e assim eles decidem dividir os grupos para não deixar os outros perceberem que eles não estão doentes. Graças a explosão do seu apartamento, o Narrador acaba hospedado na casa de Durden e juntos eles fundam o Fight Club, um grupo onde eles podem se bater e apanhar para se livrar do stress que a vida morderna gera, e é ai que tudo vai pelos ares…

O filme foi um grande sucesso, e o dvd é repleto de extras que trazem ainda mais insanidade para acompanhar o filme. Quando foi lançado a caixa do dvd parecia um embrulho feito com saco de papel e era muito bem sacada.

Talvez este seja o melhor filme de Brad Pitt, e sem dúvida é um dos melhores de Edward Norton. A narração faz com que acompanhemos a tragédia do narrador, seus medos e sua alegria quando tudo está pegando fogo. A ação do filme é brutal, vemos lutas bem coreografadas e nada de exageros, e tudo parece bem real, inclusive os dentes voando. Claro que o filme não é somente sobre o Clube , mas para é necessário vê-lo para apreciar todo o brilhantismo da história, ou a doideira do diretor. Claro que como todo clube ele também tem as suas regras, e a primeira regra do Fight Club é: Você não fala sobre o Fight Club!

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Y the last man

sábado, 19/07/2008

Em um mundo cheio de mulheres, o que faria o último homem? Será que ele sairia e se comportaria como um homem normal? Será que se sentiria acuado pela presença feminina abundante? Ou viraria ele um garanhão para a reprodução humana? Em um mundo cheio de mulheres, haveria espaço para o último homem?

Essas são boas perguntas e muitas delas são respondidas em Y the Last Man, um quadrinho da linha Vertigo que começou a ser publicado em 2002 e terminou no ano passado. Nele temos a história de Yorick Brown, o último ser humano masculino do planeta após uma praga que dizimou todas as criaturas que tinham o cromossomo Y. Bem, todas não, Yorick tem um macaco chamado Ampersand, que o acompanha em uma grande empreitada através do mundo em busca de sua namorada que estava na Austrália.

Nas 60 edições de Y, vemos Yorick apanhar, chorar, se machucar, ser torturado, correr, amar e ser humano. Talvez esse seja o grande feito deste quadrinho, ele traduz bem a essência do ser humano, as vezes seu lado bom, e outras seu lado mau, definitivamente algo real, não um estereótipo tirado de algum filme. O roteiro é consistente, a arte o acompanha e temos uma boa combinação para se manter intrigado e entretido anos a fio. Apesar de ser sobre o último homem, as mulheres estão presentes na trama e são tão magníficas como as mulheres que encontramos em vida, e a interação entre Yorick e elas são o charme e o lado sexy de que a história precisa.

Este é um dos quadrinhos que recomendo a todos meus amigos lerem. E quando ele chegou ao fim o primeiro comentário que ouvi foi: “Droga, agora tenho que achar algo para ler no lugar do Y the last man.” Dificilmente acharemos algo parecido, já que o humor e a tenacidade de Y são únicas, assim como suas citações a filmes e músicas das décadas 60 e 70. Claro que existirão outros bons quadrinhos, mas Y entra para a seleta lista dos melhores já produzidos.


Children of Húrin

terça-feira, 15/07/2008

Estive esperando bastante tempo para ler este livro — na verdade, estava esperando pra ver se saía uma versão em português. Como não saiu, me aventurei a comprar o paperback em inglês. Este livro conta uma das histórias mais significativas do Silmarillion em detalhes, e vale a pena a leitura.

O livro conta a história — como o próprio título diz — dos filhos de Húrin, um dos grandes chefes dos Homens na Primeira Era da Terra Média. A trágica história de Túrin Turambar e Nienor, junto com a história de Beren e Lúthien e a queda de Gondolin, eram consideradas por Tolkien como os marcos decisivos da história da Terra Média em sua Primeira Era, e foram contadas no Silmarillion. Esta versão, no entanto, contém muitos mais detalhes a respeito dos personagens e dos acontecimentos que levaram ao seu destino.

Não vou entrar em detalhes sobre a história — quem leu o Silmarillion já conhece, quem não leu deve ler. A narrativa, no entanto, é fácil de seguir, e reproduz o estilo das velhas histórias de heróis da mitologia céltica, com poucos diálogos e muita descrição das ações dos personagens. Duas expectativas surgem durante a leitura: de que manuscritos das outras duas histórias sejam lançados, e que um filme sobre a história seria muito bem recebido.

A história toda tem umas 240 páginas, mais um bom tanto contendo explicações sobre a história da Terra Média, a genealogia dos heróis, significados de nomes e mapas, como é comum em todo livro do Tolkien. Além disso, o livro é belíssimamente ilustrado por Alan Lee, que já trabalha com as histórias do Tolkien desde há muito tempo e foi importante na definição visual dos três filmes do Senhor dos Anéis.

Enfim, uma leitura pra lá de recomendada para quem quer que seja fã do autor, e uma ótima história de tragédia e heroísmo no melhor estilo das boas mitologias para quem não é.


Code Geass: Lelouch of the Rebellion

terça-feira, 08/07/2008

Sempre quis ver uma históra onde o vilão era o personagem principal. Algo que realmente chamasse a atenção, onde ele tivesse que ser frio, calculista, mau e, quando necessário, matar. Em inúmeras histórias sempre apareceram anti-heróis, que são aqueles heróis sujos, que não querem contato com os outros personagens, que só pensam neles mesmos… até encontrar alguém que mude seu jeito e seus pensamentos. Não, isso não me bastava. Até que apareceu Code Geass…

Provavelmente o texto a seguir tem spoilers, então esta é a última chance de evitá-los.

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Final Fantasy III for DS

sexta-feira, 04/07/2008

Final Fantasy sempre foi sinônimo de jogos de aventura de qualidade, desde seu início modesto e pixelado no Nintendinho até os dias de hoje. Todos os jogos conquistaram tantos fãs que alguns — como eu — se tornam fã de qualquer coisa da série. Não é de se admirar que a Square, produtora dos jogos, se sinta à vontade para relançar alguns dos títulos mais antigos — algumas vezes sem muito brilho, mas outras vezes refeitos da maneira mais sofisticada possível. É o que acontece com Final Fantasy III.

Nunca lançado antes oficialmente no mercado ocidental, foi jogado por muitos nos emuladores, com ROMs disponíveis na internet. O jogo representava o melhor que se podia obter com o NES, era estimulante, tinha um ótimo sistema de classes e nunca era frustrante. A história era meio fraquinha, mas o que se podia fazer naquela época? O jogo foi relançado em 2006 para o portátil Nintendo DS em grande estilo: ainda é o mesmo jogo, mas os gráficos foram reelaborados para serem tridimensionais e com mais detalhes, a música também ganhou um level-up e a história também ganhou algumas nuances.

O jogo ainda é o mesmo: o sistema de classes permanece, e saber qual classe usar em que situações é uma estratégia em si. A história continua fraquinha, mas pelo menos existe algum desenvolvimento de personagens. Na verdade, existem personagens — o jogo original não os tinha. A idéia é a mesma: alguém no mundo está ameaçando a integridade dos quatro cristais dos elementos, e quatro guerreiros predestinados se ocupam em salvar o mundo. Tudo com muitas batalhas, muitos monstros e muita magia em um cenário típico de fantasia medieval (com alguma tecnologia).

O interesse básico é ver como a Square usaria as tecnologias disponíveis no DS, mais especificamente a touchscreen. O resultado é um pouco misto. Nas cidades, se tornou muito fácil caminhar de um lado a outro, conversar com NPCs e selecionar uma ou outra coisa. Durante as batalhas também se torna bastante fácil, com um toque ou dois, selecionar a ação desejada. Mas continua sendo apenas uma adaptação para um estilo de interface que é feita com o controlador tradicional. Na tela de status, por exemplo, às vezes é necessário clicar duas vezes em um item, para selecionar e confirmar a seleção. Isso não deveria ser necessário, mas levemos em conta que é uma adaptação de um jogo antigo (haverá código reaproveitado?) e uma tecnologia pouco conhecida entre os games. Este mês deve sair o remake de Final Fantasy IV, cujas telas divulgadas na internet prometem algo um pouco melhor.

No final das contas, Final Fantasy III é um jogo que merece alguma atenção. É divertido, permite horas de entretenimento, é desafiante, tem todo o espírito que um jogo da marca deveria ter, roda em um portátil e é muito bom ver que um jogo antigo continua sendo bom.


Macross Frontier

terça-feira, 01/07/2008

Se existe um motivo para se ter um bom computador e um monitor bem grande ele se chama Macross Frontier. A qualidade e a beleza deste anime só é comparável a riqueza de detalhes e a história que até agora tem sido muito bem administrada. Lançados doze capítulos até agora, a trama está apenas esquentando, mas com certeza será lembrada como um dos melhores animes já produzidos até então.

A série Macross se baseia em quatro pilares: um triângulo amoroso, músicas poderosas, guerras espaciais e robôs transformáveis. Como em todas as histórias anteriores, temos um triângulo amoroso entre um piloto e duas mulheres; músicas incrívelmente bem orquestradas, com vocais poderosos e produzidas por ninguém menos do que Yoko Kanno; a guerra novamente se encontra de frente com os protagonistas e desta vez é um inimigo totalmente novo; por fim temos os caças mais avançados da galaxia novamente cruzando o espaço e lutando pela humanidade.

Como a série ainda está em produção, só saberemos se a história é realmente boa daqui a alguns meses, mas até agora não só é interessante como também presta homenagem a todas as outras histórias oficiais de Macross. Revelar qualquer detalhe é uma grande perda de tempo, pois a grande jogada deste anime é a fusão entre a parte sonora e a visual. Quando ambas estão ali em movimento a vontade é de estar imerso naquele espaço ou céu, desfrutando da sensação de liberdade que o anime proporciona.

Os destaques até agora vão para os capítulos sete, dez e doze, que prestam homenagens e interligam todos os Macross. Simplesmente necessário.